Sistema sob medida
Como fazer um sistema para uso interno da empresa — e por que “app” é a palavra errada
Equipe iatize · · 9 min de leitura
Resumo
Um sistema para uso interno é a ferramenta que só a sua equipe usa: abre no navegador, tem login por pessoa e ninguém baixa da loja — pedir “app” no lugar disso encarece o orçamento sem motivo. A primeira versão útil costuma caber em três telas: uma lista, um formulário e um painel. Antes de construir, cheque se o seu caso não é uma automação, que começa em R$2.500.
O sintoma mais comum é este: alguém na sua empresa passa horas toda semana copiando informação que já está escrita em outro lugar — do WhatsApp para a planilha, da planilha para o e-mail. Você sabe que aquilo é burro. O que você não sabe é o nome do que resolveria, e sem o nome não dá nem para pedir orçamento.
Aviso de honestidade: a iatize constrói sistema sob medida e também vende automação. As duas coisas. Por isso este artigo começa pelo que quem vende sistema raramente diz antes de fechar contrato: boa parte do que chega até nós como “preciso de um sistema” é outra coisa, mais barata.
O que é um sistema interno — e por que “app” é a palavra errada
Sistema interno é software feito para a sua operação, usado por quem trabalha na empresa. Na prática ele tem esta cara:
- Abre no navegador, num endereço que só quem tem login acessa. Não passa por loja de aplicativos.
- Cada pessoa entra com o próprio usuário, e o que enxerga depende do papel dela.
- Guarda histórico: quem cadastrou, quem alterou, quando. É o que planilha compartilhada não entrega.
- Aplica a regra na hora de preencher, sem depender de alguém lembrar dela.
Quando você pede “um app”, o fornecedor entende app de loja: conta de desenvolvedor na Apple e no Google, revisão a cada atualização, muitas vezes duas versões para manter. Custo real a serviço de uma distribuição que você não precisa — seus usuários são oito pessoas que você chama pelo nome.
Três coisas que parecem sistema e não são
Passe seu problema por estes três filtros antes de orçar. Se ele parar em algum, você economizou meses e alguns milhares — nossos, inclusive.
- É uma automação. Se ninguém precisa consultar nem decidir nada, e a informação só precisa sair de um lugar e chegar em outro sozinha, é automação — e começa em R$2.500. Pedido do WhatsApp que vira linha na planilha, relatório montado na mão toda segunda.
- Já existe pronto e testado. Nota fiscal, folha, agenda, estoque padrão: milhares de empresas têm o mesmo problema e o software de prateleira já apanhou por elas. Sob medida vale quando o seu jeito de fazer é a vantagem — não quando é só o jeito com que você se acostumou.
- O problema é o processo. Se três pessoas fazem a mesma coisa de três jeitos e ninguém sabe qual é o certo, o sistema não resolve: ele carimba. Você paga para transformar a confusão em confusão com login.
Como descobrir o que o seu sistema precisa fazer
Não escreva documento técnico. Passe meia manhã ao lado de quem executa o processo e anote o que acontece, um passo por linha, cada linha com um responsável e um verbo. “A Ana recebe o pedido pelo WhatsApp.” “A Ana confere se o cliente está dentro do limite.” “A Ana lança na planilha.” Siga até o dinheiro entrar. Vão dar de 10 a 30 linhas que valem mais que qualquer briefing: descrevem o que acontece, não o que deveria acontecer. Depois marque quatro tipos:
- Linhas em que alguém digita algo já escrito em outro lugar: candidatas a automação, podem sair do escopo.
- Linhas em que alguém consulta para decidir: essas são as telas. O resto é acessório.
- Linhas que só uma pessoa sabe fazer: risco do negócio, com ou sem software.
- Linhas que existem porque a ferramenta atual não aguenta — “a gente tira print antes de fechar, porque às vezes some”. Essas morrem no sistema novo.
Grave também dez minutos de tela de alguém executando o processo: nada explica tão rápido quanto ver a pessoa alternando entre quatro abas. Esse vídeo mais a lista é o melhor material que existe para pedir orçamento — e exija de volta, por escrito, o que fica FORA do escopo e de quem são as contas e o código.
A regra das três telas
A primeira versão de uma ferramenta interna que funciona quase sempre cabe em três telas:
- Uma lista, com busca e filtro. É onde a equipe passa a maior parte do tempo: os pedidos, os clientes, as ordens de serviço, o que for o objeto do negócio.
- Um formulário para criar e editar um item da lista, com as regras dentro: campo obrigatório, valor que não pode ser negativo, desconto acima de 20% que exige aprovação.
- Um painel com as duas ou três perguntas que hoje você manda no WhatsApp de alguém: quanto entrou, o que está parado, quem está devendo.
Se a sua primeira versão tem doze telas, ela não é primeira versão: é o produto inteiro com nome de rascunho, e o preço reflete isso. Corte para três e deixe um mês de uso dizer qual é a quarta — que raramente é a que você teria adivinhado.
Quem usa, onde usa, e o que cada um pode ver
App público tem muitos usuários iguais entre si. O seu sistema tem poucos usuários muito diferentes entre si — e é a diferença que dá trabalho, não a quantidade. Responda por escrito, antes do orçamento:
- Quem pode ver preço de custo, margem e salário. A resposta quase sempre é “só eu”, e quase nunca alguém pergunta.
- Quem pode apagar. Sugestão: ninguém. Item errado vira item cancelado, com autor e motivo — apagar destrói a prova do que aconteceu.
- Se um vendedor enxerga o cliente do outro. Essa muda o sistema por dentro e é a que mais vira retrabalho depois.
- O que acontece no dia em que a pessoa sai: acesso revogado na hora, trabalho visível para quem assume.
- Onde o trabalho acontece. Rua com sinal ruim obriga a decidir o que o sistema faz quando a conexão cai: arquitetura, não detalhe de tela.
Sobre dado pessoal, com a ressalva na frente: a iatize escaneia apps brasileiros e, nos 69 medidos até agora, 59% não tinham caminho nenhum para o titular pedir exclusão dos próprios dados. É número de app público, não do seu caso. Mas a obrigação não some por ser interno: se um cliente pedir exclusão, o dado está aí dentro.
A primeira semana no ar decide o projeto
Ferramenta interna tem algo que produto de mercado não tem: o usuário é obrigado a usar. Parece vantagem e é armadilha — ele não abandona, ele burla. Continua anotando no caderno, mantém a planilha paralela, e em três meses você tem duas fontes de verdade e nenhuma confiável. Três coisas evitam isso:
- Coloque na mão de quem mais executa o processo antes de estar pronto. O que ela reclamar na primeira hora vale mais que um mês de reunião.
- Combine a data em que a ferramenta antiga deixa de valer. Enquanto as duas valem, as duas ficam erradas.
- Reserve orçamento para o mês seguinte à entrega — não para defeito, e sim para o que só aparece no uso real.
Perguntas frequentes
O que é um sistema para uso interno da empresa?
É software feito sob medida para a operação de uma empresa e usado por quem trabalha nela. Costuma abrir no navegador, com login por pessoa, sem loja de aplicativos. Faz o que planilha compartilhada não faz: controla quem vê o quê, guarda histórico e aplica a regra no preenchimento.
Preciso de um app ou de um sistema web para minha empresa?
Para uso interno, sistema web resolve na maioria dos casos: abre no navegador do computador e do celular, sem conta de desenvolvedor nas lojas, sem revisão a cada atualização, sem duas versões para manter. App de loja se justifica com câmera, GPS, notificação ou uso sem internet.
Quanto custa fazer um sistema interno?
Depende de quantas telas tem a primeira versão, de quantas integrações existem e de quanto dado antigo entra junto. As faixas de entrada da iatize servem de referência: automação a partir de R$2.500, app a partir de R$3.000, MVP a partir de R$5.000, e uma ferramenta que funciona como sistema de negócio fica na casa de R$15 mil — pisos, não preço fechado.
Como saber se preciso de um sistema ou de uma automação?
Conte as decisões humanas do processo. Se a informação só precisa sair de um lugar e chegar em outro sem ninguém escolher nada, é automação — a partir de R$2.500. Se várias pessoas consultam, decidem e registram, com histórico e acesso por papel, é sistema.
Vale mais a pena comprar um sistema pronto ou mandar fazer sob medida?
Pronto ganha quando o problema é igual ao de milhares de empresas: nota fiscal, folha, agenda, estoque padrão. Sob medida ganha quando o seu jeito de operar é a vantagem, quando o pronto exigiria mudar um processo que funciona, ou quando você já paga três assinaturas que não conversam.
Quanto tempo leva para fazer um sistema interno?
Depende de quantas telas tem a primeira versão, de haver ou não integração com sistema de terceiro (aí o prazo depende do outro lado) e do estado do dado que vai entrar junto. Três telas sem integração é questão de semanas. Dado sujo e sistema fechado são o que mais empurra o prazo.